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Escolha o sexo do seu bebê




Menino ou Menina - Uma escolha quase impossível.

Por Suzana Lakatos
Se pudesse escolher o sexo do bebê, você o faria?

Recentemente, a Revista Crescer realizou essa enquete no seu site, e o resultado não surpreendeu: a maioria absoluta afirmou que gostaria, sim, de determinar o sexo da criança.
Essa expectativa não é estranha a obstetras como o professor Abner Lobão Neto, chefe do Pré-Natal Personalizado da Escola Paulista de Medicina/Unifesp: "Os casais sempre manifestam preferências, mas a maioria se adapta fácil a uma frustração. Só em alguns casos, principalmente de segunda gravidez, a angústia chega a abalar a estabilidade do relacionamento".
Explica-se: com um número menor de filhos, os casais hoje têm menos chances de compor aquele modelo idealizado de família, em que há crianças dos dois sexos. Outra causa é cultural e se acentua entre descendentes de alguns povos - como árabes, judeus e chineses -, que vêem no menino um "continuador" do nome e das tradições da casa. O desejo de escolher o sexo do bebê não é novo. Tanto que não faltam métodos e conselhos sobre como gerar meninos e meninas. Algumas dessas teorias até envolvem princípios científicos, mas mal aplicados. Seus efeitos também variam e, às vezes, chegam a pôr em risco a saúde da mulher e suas chances de concepção.

Confira as "fórmulas" mais conhecidas e veja o que a ciência tem a dizer sobre elas:

1) Casa da Lua
A teoria é que a posição astrológica da Lua no dia da concepção influencia o sexo do bebê. Se ela estiver em signos de Fogo e Ar, há mais chances de gerar um menino. Nos signos de Terra e Água, menina. Para colocá-la em prática, basta saber que a Lua muda de signo a cada três dias e acompanhar seu trajeto por uma tabela lunar (vendida em lojas de artigos esotéricos).

- Avaliação:
Independentemente da posição da Lua, a composição do sêmen é invariável. Entre os cerca de 400 milhões de espermatozóides que participam da "corrida" em direção ao óvulo, 51% são portadores de cromossomos Y e 49% de cromossomos X. Lembrando: o Y determina o sexo masculino e o X, o feminino. Portanto, é o pai quem define o sexo do bebê, e as chances de meninos e meninas são quase iguais. A ligeira vantagem masculina é uma medida da natureza para manter o equilíbrio entre os sexos, já que, embora não se saiba o motivo, os garotos morrem mais no nascimento. Mas consultar a Lua não vai fazer mal nenhum e pode até virar um romântico passatempo para o casal.

2) Dietas
Há duas teorias. A mais recente vem de um estudo da universidade inglesa de Nottingham, cujos pesquisadores, após acompanhar 6 mil mulheres, constataram haver duas vezes mais bebês do sexo feminino entre vegetarianas. Explicaram a diferença pelo aumento natural da acidez vaginal, favorecido pelo alto consumo de vegetais. A outra tese foi criada por obstetras e nutricionistas franceses. Segundo ela, baixos níveis de cálcio e de magnésio e alto consumo de sódio e de potássio causam mudanças de muco favoráveis aos espermatozóides com carga masculina. O contrário favoreceria os de carga feminina. Tais dietas deveriam ser seguidas por seis meses antes da concepção. No prato das aspirantes a um garotinho, então, deveria haver muito pão, frutas e verduras, como banana e alcachofra, e nada de laticínios, frutos do mar, ovos e molhos. Já no cardápio das que desejam uma menininha, proíbem-se sal, pães, embutidos, conservas e bebidas com gases. Ovos, arroz, hortaliças e muito, muito leite e derivados seriam a base de sua alimentação.

- Avaliação:
Para Abner Lobão, é preciso critério ao analisar uma pesquisa. Estudos populacionais para apontar fatores determinantes de sexo devem envolver grandes grupos (cerca de 30 mil pessoas), em diferentes pontos do mundo e com controle estrito do perfil dos integrantes - todos devem ter igual faixa de renda, escolaridade e idade. Ou seja, pela própria amostragem, a pesquisa da Universidade de Nottingham pouco prova. Mesmo porque, em países com predominância de vegetarianos, como a Índia, não há mais mulheres do que homens. Quanto aos cardápios propostos pelos franceses, a crítica é dura. Excessos de sódio e de cálcio podem levar a problemas renais, hipertensão e, num período de seis meses, a comprometimentos nutricionais graves. A falta de potássio, por exemplo, predispõe a cãibras, e a de magnésio altera a concentração de cálcio nos músculos. O mais grave, porém, é a combinação de excesso de sódio e carência de cálcio, que eleva os riscos de uma eclâmpsia na gravidez. Sem falar que o déficit de cálcio pode impedir que o organismo materno forneça esse mineral em quantidade suficiente para a formação óssea do futuro bebê de qualquer sexo.

3) Abstinência
Um estudo de 1998, da Faculdade de Medicina de Baylor, EUA, dizia que a abstinência sexual do homem elevaria a concentração de espermatozóides portadores de Y e, portanto, as chances de gerar um menino. Já relações sexuais diárias favoreceriam a concepção de garotas.

- Avaliação:
O urologista Roger Abdelmassih contraria a tese. Ele foi coordenador de uma pesquisa na Universidade Estadual de Campinas que modificou, mundialmente, o conceito que relacionava abstinência à maior concentração de espermatozóides. Ele explica que o ciclo de formação e maturação de espermatozóides é permanente no homem. E embora a abstinência num primeiro momento propicie um aumento na concentração dessas células, não há predominância de portadores de X ou Y. Na verdade, o único efeito da abstinência é o acúmulo momentâneo de espermatozóides envelhecidos e de baixa vitalidade - o que diminui as chances gerais de gravidez

4) Lavagens
Aposta na diferença de resistência entre espermatozóides portadores de cromossomos X e Y. Os primeiros resistem melhor ao ambiente naturalmente ácido do muco cervical. Assim, para gerar uma menina, bastaria eliminar a "concorrência", acentuando a acidez com lavagens vaginais de duas colheres de vinagre branco diluídas em 1,2 litro de água. Inversamente, quem quisesse um garotinho teria de combater a acidez com lavagens à base de um litro de água e duas colheres de bicarbonato de sódio.

- Avaliação:
Embora atribuído a um obstetra inglês, o método é considerado uma perigosa barbaridade. Em primeiro lugar, lembra o urologista Roger Abdelmassih, o espermatozóide é extremamente frágil e vulnerável a variações de temperatura e de pH, que é a medida de acidez. O mais provável, portanto, é que a tentativa de acidificar o muco cervical inviabilize a gravidez em si, tornando o ambiente hostil a qualquer espermatozóide, seja portador de X ou de Y. Além disso, como explica Abner Lobão, o pH vaginal varia de uma mulher a outra. Portanto, é impossível ter uma receitinha universal para torná-lo ácido ou neutro na medida certa. Outro problema é que as duchas vaginais, pela simples pressão que exercem contra o colo do útero, expõem a mulher a infecções e até lesões nas trompas. Um caso extremo é a chamada salpingite, que pode levar à esterilidade.

5) Data marcada
Baseia-se no fato de que os espermatozóides portadores de cromossomo X são mais pesados, lentos e resistentes do que os portadores de Y. Assim, se o casal mantiver relações um ou dois dias antes da ovulação, é provável que, ao ser liberado do ovário para as trompas, onde ocorre a fecundação, o óvulo encontre ali uma concentração maior de espermatozóides com cromossomo X. Resultado: ponto para as meninas. Já se a relação ocorrer no dia da ovulação ou algumas horas depois, os portadores de Y, mais rápidos, levam vantagem. Seguido à risca e com precisão, o método tem 15% de chances de acerto.

- Avaliação:
"A teoria tem lógica", afirma Abner Lobão. O desafio é detectar o dia exato da ovulação e fazer uma previsão antecipada da data, caso se queira uma menininha. Sem falar que as próprias chances de gravidez diminuem nesse caso, já que a maioria dos espermatozóides "morre" em poucas horas. Para o urologista e especialista em reprodução humana Roger Abdelmassih, o controle da ovulação pode ser feito com a assessoria de um especialista. Bastaria um acompanhamento por ultra-som e o uso de medicamentos para programar a liberação do óvulo.

6) Posição sexual
Mais uma que vem da Inglaterra: a posição em que o casal mantém a relação sexual no dia da concepção favoreceria um dos sexos. A penetração por trás, supostamente, permitiria a deposição do sêmen na entrada do útero, diminuindo o trajeto no "hostil" muco cervical e favorecendo os espermatozóides mais rápidos. Ou seja, melhor para "eles". Já o clássico papai-e-mamãe tenderia à geração de meninas.

- Avaliação:
Segundo Abner Lobão, a posição sexual tem uma pequena influência apenas em relação às chances gerais de concepção. É mais fácil engravidar - de qualquer sexo - quando o sêmen fica um tempo maior em contato com o útero. Quer dizer, um casal que só mantenha relações sexuais em pé tem menos chances de conceber do que outro em que a mulher permaneça deitada algum tempo após a ejaculação. Além disso, como explica Roger Abdelmassih, as diferenças de resistência e velocidade entre os espermatozóides portadores de X e Y, isoladamente, são insignificantes diante dos muitos fatores que influenciam o resultado dessa "corrida" pela vida.


Fonte: Revista Crescer.
Zazou Moda Gestante
http://www.zazou.com.br/home.asp?id=71

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